sexta-feira, 24 de abril de 2015

um poema para o outono




O outono taí com tudo. No final da tarde vem um vento frio da serra, uma neblina suave e as folhas das cerejeiras estão se indo. Nos campos, as macelas secam e um velho poema volta:


Dia de outono do Rilke.

Senhor: é mais que tempo. O verão foi muito intenso.

Lança a tua sombra sobre os relógios de sol
e por sobre as pradarias desata os teus ventos.

Ordena às últimas frutas que fiquem maduras;
Dá-lhes ainda mais uns dois dias de calor,
leva-as à completude e não deixes de pôr
no vinho pesado sua última doçura.

Quem não tem casa, não a irá mais construir.
Quem está sozinho, vai ficá-lo ainda mais.
Insone, há de ler, escrever cartas torrenciais
e correr as aleias num inquieto ir e vir
enquanto o vento carrega as folhas outonais.

(Tradução de José Paulo Paes)


Estamos curtindo esse outono com colheita de macela, doces de abóbora, banhos de sol e degustação de pães, é claro!






Peraí, o cardápio de outono tá quase saindo...







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