

O outono taí com tudo. No final da tarde vem um vento frio da serra, uma neblina suave e as folhas das cerejeiras estão se indo. Nos campos, as macelas secam e um velho poema volta:
Dia de outono do Rilke.
Senhor: é mais que tempo. O verão foi muito intenso.
Lança a tua sombra sobre os relógios de sol
e por sobre as pradarias desata os teus ventos.
Ordena às últimas frutas que fiquem maduras;
Dá-lhes ainda mais uns dois dias de calor,
leva-as à completude e não deixes de pôr
no vinho pesado sua última doçura.
Quem não tem casa, não a irá mais construir.
Quem está sozinho, vai ficá-lo ainda mais.
Insone, há de ler, escrever cartas torrenciais
e correr as aleias num inquieto ir e vir
enquanto o vento carrega as folhas outonais.
(Tradução de José Paulo Paes)
Estamos curtindo esse outono com colheita de macela, doces de abóbora, banhos de sol e degustação de pães, é claro!






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