domingo, 12 de julho de 2015

estações: degustação de pães no inverno




Para você que é pantagruélico e quer se aquecer nesse inverno o cardápio da minipadoca está calórico e picante. Mas, garantimos que toda essa comilança vai deixar você levinho!

Serão três degustações, cada uma com 6 cadeiras disponíveis.

Sábados, 18 de julho, 29 de agosto e 12 de setembro, a partir das 13:30h

Taí o cardápio com 4 tipos de pães e acompanhamentos para esquentar:

Tudo começa com o pãozinho em forma de bastão e que faz croc, croc, croc: grissino de parmesão com especiarias. 






depois é a hora da sopa na cumbuca de minipão tipo italiano:





sopa picante de abóbora com sementes tostadas: creme de abóbora menina com ghee (manteiga clarificada), grãos de mostarda preta e garam masala (tradicional mistura de especiarias indiana) e...





sopa cremosa de feijão branco: creme com um temperinho bem clássico: cebola, alho, louro, coentro, colorau e pimenta malagueta.





Além da cumbuca comestível, para acompanhar tem pão de alho e azeitona. Levíssimo!





E para fechar um pão doce clássico aqui do sul: cuca recheada com doce de leite e chocolate, com um toque de baunilha (a de verdade, em fava) e raspas de laranja da roça, acompanhada de um cafezinho.





Custo por pessoa: R$ 35,00

Bebidas (custo à parte): vinhos, chás e tchai

Todos os pães são de fermentação natural e integrais e, sempre que possível, os ingredientes do cardápio são da estação, orgânicos, da nossa própria horta ou de produtores locais.

Reservas e detalhes pelo email: panerama.paes@gmail.com

ou pelo fone (41)9988-7629




segunda-feira, 6 de julho de 2015

fare la scarpetta




Sobrou molho no prato?

Impossível resistir. Pega-se um pedaço de pão com as mãos e vai-se aos poucos recolhendo o molho e limpando o prato. Delícia!






A expressão italiana é controversa. Uma das versões diz que vem de scarpe, sapatos, ou seja, numa metáfora ao sapato que vai "recolhendo" o que encontra pelo chão, usa-se um pedaço de pão para recolher o molho.

O Galateo - manual de etiqueta dos italianos - não vê com bons olhos essa prática, mas também não a proíbe, desde que seja feita em situações informais, entre familiares e amigos chegados e deve-se usar talheres, não os dedos.


Já tem até estudo científico (Len Fisher, biofísico australiano da Universidade de Bristol) sobre o pão que mais absorve o molho. O pesquisador usa uma fórmula que mede o coeficiente de absorção e a resistência à umidade e chega a conclusão que esse pão é o ciabatta. Reproduzimos o experimento na nossa minipadoca com um pão de alho com azeitona que tinha acabado de sair do forno, e foi aprovadíssimo. Por falar nisso esse pão vai estar no cardápio de inverno.

Outros dizem que esse ritual veio da cucina povera, cozinha dos pobres, que não sabendo se haveria comida no futuro, aproveitavam a refeição até o último farelo.

Moral da história: para os bons costumes não é de bom tom fare la scarpetta, porque pode significar que você é um morto de fome.






Mas, que esse ritual é bom, isso é! E pode ser feito com o primeiro pão que estiver ao alcance, e com as mãos. É uma forma de prolongar o prazer de degustar até a última gota. 

E de tão bom que é, logo, logo deixaremos o bom tom de lado e faremos uma degustação só de pães e molhos.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

estações: degustação de pães no outono

Antes que o outono acabe tem comilança na minipadoca com todos os sabores da estação: salgado, picante, amargo, azedo e doce!

Serão três degustações, cada uma com 6 cadeiras disponíveis.

Sábados, 16 e 30 de maio e 13 de junho, a partir das 13:30h

Taí o cardápio com um toque indiano para aquecer:

Tudo começa com uma focaccia de batata doce e lentilha vermelha cremosa com especiarias.





depois é a hora das tartines servidas no pão mourisco com nozes (um pão rústico feito com trigo sarraceno):

tartine de paneer (queijinho indiano leve, feito por nós) e também vai pesto de cebolinha, tomate cru com temperos e especiarias;

tartine de cogumelos: curry de cogumelos com picância suave (curry é um refogado indiano condimentado);

tartine de alho poró caramelizado com espinafre, radicchio comum (todos da horta) e uma polvilhada de parmesão;





e, já que ninguém é de ferro, um docinho pra finalizar:

baguette com halwa de abóbora, um doce indiano que leva ghee (manteiga clarificada), castanha de caju e passas brancas. 

Nos gurdwaras (templos sikhs) a halwa de semolina é tradicionalmente oferecida como alimento sagrado (karah prashad), e é tão gostosa que o devoto come rezando.






Custo por pessoa: R$ 35,00
Bebidas (custo à parte): vinhos, chás e tchai

Todos os pães são de fermentação natural e integrais e, sempre que possível, os ingredientes do cardápio são da estação, orgânicos, da nossa própria horta ou de produtores locais.

Reservas e detalhes pelo email: panerama.paes@gmail.com
ou pelo fone (41)9988-7629



sexta-feira, 24 de abril de 2015

um poema para o outono




O outono taí com tudo. No final da tarde vem um vento frio da serra, uma neblina suave e as folhas das cerejeiras estão se indo. Nos campos, as macelas secam e um velho poema volta:


Dia de outono do Rilke.

Senhor: é mais que tempo. O verão foi muito intenso.

Lança a tua sombra sobre os relógios de sol
e por sobre as pradarias desata os teus ventos.

Ordena às últimas frutas que fiquem maduras;
Dá-lhes ainda mais uns dois dias de calor,
leva-as à completude e não deixes de pôr
no vinho pesado sua última doçura.

Quem não tem casa, não a irá mais construir.
Quem está sozinho, vai ficá-lo ainda mais.
Insone, há de ler, escrever cartas torrenciais
e correr as aleias num inquieto ir e vir
enquanto o vento carrega as folhas outonais.

(Tradução de José Paulo Paes)


Estamos curtindo esse outono com colheita de macela, doces de abóbora, banhos de sol e degustação de pães, é claro!






Peraí, o cardápio de outono tá quase saindo...







sábado, 14 de março de 2015

as aroeiras e um pão de pimenta rosa




Não podemos ver nada por aí, crescendo, dando frutos no mato ou na horta que já vira experiência na minipadoca. Árvores no bosque com frutos rosadinhos? Pimenta rosa? Vixe, daí é um prato cheio, ou melhor, um pão para encher um prato. É pra já que vira um experimento na minipadoca.

E também não podemos ver pimenta que já queremos testar nosso paladar e essa encanta pela sua sutileza.

Para ir aquecendo para o outono, pão com pimenta rosa:






Nessa época do ano as aroeiras, nome comum de várias espécies de plantas como a Myracrodruon urundeuva (aroeira legítima ou aroeira-do-sertão) e Schinus terebinthifolius (aroeira-vermelha), estão com seus frutos a todo vapor enfeitando o bosque.



terça-feira, 3 de março de 2015

festival do milho

O milho verde está espalhado pelos caminho por onde passamos, plantações e plantações, alguns já estão no ponto, uns já passaram e outros estão com as bonecas de cabelo dourado, sinal de que o verão vai chegando ao fim, que pena!

A fartura do milho também invadiu a minipadoca, é festa! Já teve milho verde cozido, é claro, suco, curau, suflê, pudim, sorvete,
chipa guazú (prato tradicional do Paraguai e nordeste da Argentina - é uma torta de milho verde com cebola e queijo, deliciosa!) e agora o pão de milho assado com fermento selvagem. Explico: o milho é assado antes de ser incorporado ao pão.

Testamos e ficou assim! Logo, logo entra no nosso cardápio.







Os maias chamavam o milho de alimento dos deuses, mas ainda bem que nós, mortais, conseguimos plantar, comer e repetir.

Nas minhas lembranças, esse ingrediente - sob forma de farinha - sempre esteve presente na despensa, no fogão, na mesa e no prato, principalmente como polenta que comíamos em casa e sendo filha de descendentes de italianos de Santa Catarina não podia ser diferente e é assim ainda hoje. No meu tempo pra ser forte e saudável tinha que comer polenta senão não teríamos força pra encarar os dias.

A farinha vinha e vem de um moinho de pedra (atafona, ou tafona no popular) das proximidades e resulta numa polenta lisa e macia, de sabor mais acentuado, bem diferente daquelas farinhas industriais ou da herege polentina transgênica.






E pra completar aqui tem uma foto de um moinho antigo que fica na atafona onde compramos a farinha de milho.





E antes que o milho acabe vai ter o festival da pamonha!